Luiz Delfino

Saudade de um tempo

 

Tenho saudade de um tempo,

da chuva, na madrugada,

caindo em meu pensamento,

- eu, a criança assustada.

 

Rezava a Ave Maria,

com a cabeça encoberta,

e para a minha mãe eu pedia

que deixasse  a porta aberta.

 

Do quarto, feito em madeira,

o cheiro da chuva sentia,

e jurava à Padroeira,

que nunca mais mentiria.

 

Os pingos por sobre as telhas,

faziam uma só sinfonia,

e na madeira, uma fenda:

por lá a chuva eu via.

 

Sabia que as galinhas,

iriam para os puleiros,

e lá longe a correria,

ficava com os cocheiros.

 

Do sapo o som eu ouvia,

- e era o sapo ferreiro,

que pra femea repetia:

- quero ser o seu parceiro

 

Hoje, do tempo eu tremo,

não mais escondo a cabeça,

não rezo a Ave maria,

e vejo o medo ao extremo

  

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